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O girl power de Katy Perry no álbum “Witness”


Katy Perry é ótima escrevendo músicas empoderadoras. No álbum “Witness” não seria diferente…

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Começa no dia 14 de março a turnê de Katy Perry pelo Brasil. Os katycats esperaram bastante, mas finalmente verão a cantora ao vivo em três cidades: Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro. A california gurl vem ao país para divulgar seu último álbum de estúdio, “Witness”, lançado em junho do ano passado.

Embora o disco e os singles não tenham repetido o mesmo sucesso que Katy teve no passado, ele não deixa de ter bons momentos, e traz uma artista mais introspectiva. Com “Witness”, ela trouxe um olhar sobre o que passou em sua vida entre a era “Prism” e a atual, tirando de cena a ‘doceira’, para dar lugar a uma cantora mais ‘madura’, com canções que falam sobre deixar suas máscaras caírem e ser mais honesta consigo mesma.

Mas não se engane: o colorido e as canções empoderadoras continuam ali. Se antes nós tínhamos “Firework”, “Roar”, “Part of Me” e “By The Grace of God” como hinos para conseguir força, hoje nós temos mais músicas com essa pegada. Confira:

“Hey Hey Hey”

Transformada em clipe, “Hey Hey Hey” é a segunda faixa de “Witness”. Na música, Katy canta sobre transmitir uma imagem de garota frágil, feminina e ‘inofensiva’. Mas como ela mesma canta: ela pode parecer todas essas coisas, mas acaba “com os clichês e normas, tudo isso usando um vestido”.

No vídeo do making of de “Hey Hey Hey”, a cantora também falou um pouco mais sobre o conceito da canção, que é justamente o de não tratar a feminilidade e as mulheres como inferiores.

“Se você é mulher, não é preciso ser uma coisa só. Você pode ser qualquer coisa. E só porque você é vulnerável, isso não quer dizer que você é fraca”.

“Swish Swish”

Uma das melhores músicas do “Witness”, esse dueto com Nicki Minaj traz vários versos para você colocar de legenda na foto do Instagram. Basicamente, “Swish Swish” é sobre reconhecer seu valor e força, e jamais permitir que outra pessoa diga que você é menos do que realmente é.

Em entrevista ao apresentador Jimmy Fallon, Katy Perry afirmou que a música era um “ótimo hino para as pessoas usarem quando alguém tenta te prender ou fazer bullying contra você”.

“‘Swish Swish’ é uma liberação da negatividade que não tem serventia alguma a você”, concluiu.

“Power”

Sexta faixa do “Witness”, “Power” tem uma letra forte sobre sair de uma relação abusiva e recuperar o poder sobre si mesma. Nos últimos anos, Katy Perry se envolveu com a política, participando da campanha da então candidata à presidência dos Estados Unidos, Hillary Clinton. Além disso, a voz de “Teenage Dream” se engajou em causas ambientais, LGBT, antirracistas e, principalmente, feministas.

Além de doar dinheiro para instituições que cuidam da saúde reprodutiva das mulheres, a cantora também participou da Marcha das Mulheres, e se (re)afirmou feminista. Uma curiosidade: Katy liberou um pequeno trecho de “Power” em 2016, na legenda de um foto com Hillary Clinton, postada no Instagram, na qual escreveu sobre as transformações que vinha vivendo.

“O inferno não tem a mesma fúria de uma mulher RENASCIDA”.

“Mind Maze”

“Mind Maze” pode não ser a melhor música do álbum, mas possui uma interessante letra sobre sair de seu eixo e perder o rumo. Nos versos, Katy canta sobre sua dificuldade em voltar a ser o que era, pois nada daquilo faz mais sentido para ela. A canção pode não parecer empoderadora, muito menos girl power, mas há muito poder em ser vulnerável e aceitar que não sabe qual caminho seguir.

Há uma cobrança grande para que mulheres sejam fortes o tempo todo, e “Mind Maze” é um lembrete de que tudo bem não saber para onde ir de vez em quando.

“Eu costumava brilhar, mas agora isso não tem mais charme/o que costumava me estimular, agora mal me acorda”.

“Chained to the Rhythm”

Single que inaugurou a era “Witness”, “Chained to the Rhythm” foi lançada em fevereiro do ano passado, trazendo uma Katy Perry diferente daquela que conhecíamos. Sim, ela continuava colorida e divertida, mas por trás disso e do pop chiclete, ela voltou fazendo críticas ao modo “automático” com o qual estamos todos vivendo, estando todos “acorrentados” a esse ritmo apático.

“Tão confortáveis, nós vivemos em uma bolha / tão confortáveis, nós mal podemos ver o problema”.

Em 2017, participando de um evento LGBT, a cantora falou sobre a mudança que teve em sua vida em tempos recentes, e sobre sua necessidade de falar sobre aquilo que sente que é urgente.

“Seria muito mais fácil continuar sendo aquela cantora divertida que joga chantilly pelos peitos, que é basicamente uma pessoa neutra, e que diz: ‘abraços podem salvar o mundo’. De jeito nenhum. Eu não posso mais me sentar em silêncio. Eu tenho que me manifestar pelo que eu sei que é verdade, e isso é igualdade e justiça para todos. Ponto final”.

“Bigger Than Me”

Inspirada pelos resultados das eleições americanas, que terminaram com Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, Katy Perry compôs “Bigger Than Me”. A canção traz em seus versos as dúvidas e os medos que pairaram na cabeça da cantora com a vitória do candidato republicano. Ainda assim, ela aceita que tudo faz parte de “algo maior”, e que é preciso estar em constante evolução e sendo honesta consigo mesma.

“Então, eu vou falar minha verdade / mesmo que minha voz trema, tento convocar a força/ para que eu possa enfrentar o medo”.

“Pendulum”

“Pendulum” é uma das melhores músicas do “Witness”, trazendo um incrível coral ao final. A música é sobre a vida ser como um pêndulo, ou melhor, sobre a lei do retorno: tudo o que vai, volta. Se você planta coisas boas, vai colhê-las no futuro. “Pendulum” é sobre aceitar o que a vida dá, com a confiança de que, no futuro, algo bom ainda virá.

“Leve esses socos no queixo/ não lute contra as mudanças que o vento trouxe/ porque você vai encontrar seu caminho de volta para casa/ se você souber a deixar para lá/ deixe para lá”.

“Into Me You See”

A escolha de “Into Me You See” é um pouco pessoal, mas permita-me explicar. Ao iniciar o disco com a faixa “Witness”, Katy Perry busca alguém para enxergá-la como ela é, fora da persona que ela criou ao longo dos anos, tendo contato com todas as coisas boas e ruins que ela tem. Sim, ruins, pois ninguém é perfeito. Celebridades cuidam meticulosamente de suas imagens, criando uma ideia de que seriam pessoas sem qualquer falha ou problema. Aqui, a artista não está mais interessada nisso.

Quando chegamos ao final do álbum, “Into Me You See” é sobre ter encontrado essa pessoa que a viu como ela é. Mas isso só aconteceu depois que a cantora derrubou o muro que construiu à sua volta, que impedia que qualquer pessoa (inclusive ela) conhecesse a sua verdadeira essência. “Eles não podem me machucar, se não souberem quem eu sou”, ela canta.

E isso é forte, pois para construir qualquer relação, seja romântica, com amigos ou familiares, é preciso ser vulnerável; permitir-se estar em uma posição de fragilidade e que alguém tenha acesso às suas fraquezas. Assim, entramos em contato com nosso interior e sabemos o que queremos e não queremos em nossas vidas.

“Ninguém nunca me viu assim/ viu algo além do superficial/ eu rezo para continuar me desdobrando/ rezo para continuar aberta”.

KATY PERRY NO BRASIL

Porto Alegre

Dia 14/3 (quarta-feira)

Ingressos: http://www.livepass.com.br/event/katy-perry/

São Paulo

Dia 17/3 (sábado)

Ingressos: http://www.livepass.com.br/event/katy-perry/

Rio de Janeiro

Dia 18/3 (domingo)

Ingressos: http://www.livepass.com.br/event/katy-perry/

Por Artur Francischi do Prosa Livre


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